Uma Análise Ética e Teológica da série The Good Place
Thácio Siqueira
Ler as primeiras partes →No fim da série há uma porta de madeira no meio de um bosque. Quem atravessa deixa de existir. A série chama isso de esperança, põe uma música bonita por cima, e milhões de pessoas choraram.
Este livro pergunta por que eles precisaram daquela porta. E a resposta é que o céu que a série montou tinha de saturar, porque foi feito de coisas que acabam.
Treze capítulos, e cada um começa dentro de uma cena da série.
O primeiro é a porta do bosque. Mostro ali que a Escritura fecha essa saída com uma palavra só, e a palavra tem história: basanizó, atormentar, vem do nome de uma pedra escura com que os antigos testavam ouro. Quem é atormentado existe. Sobre quase tudo a Bíblia é econômica; sobre isso ela não abre mão.
Depois vem o placar de pontos e aquilo que ele não consegue medir. Vem Doug Forcett, o rapaz que adivinhou o sistema inteiro num chá de cogumelos e passou quarenta anos organizando a vida para não perder pontos: come rabanete, bebe a própria água filtrada, deixa um menino da vizinhança humilhá-lo e pede desculpa a um caracol que pisou sem querer. A série ri dele. Eu já atendi esse homem, várias vezes, e ele senta na minha frente na segunda ou terceira sessão.
Vem a descoberta de que ninguém entra no Bom Lugar há quinhentos e vinte e um anos, e o que a tradição responde a isso: o que decide o destino de alguém é a direção em que ele está andando. Vem o demônio que se converte, e a briga que a escolástica tem sobre se isso pode acontecer. Vem a razão de a amizade humana cansar depois de tempo suficiente, e o nome técnico que Tomás de Aquino dá à virtude que leva ao céu, que é justamente amizade.
E vem a resposta ao tédio, que é a peça central e tem mil e seiscentos anos. Gregório de Nissa a deu comentando uma cena estranha do Êxodo, em que um homem que já tinha visto tudo pede para ver mais. Quase ninguém a usa.
No fim, os graus de glória e por que ninguém lá tem inveja, a memória que permanece inteira e deixa de envergonhar, e uma pedra branca com um nome escrito que só quem recebe conhece.
O livro se lê no navegador, e em cinco lugares você faz alguma coisa em vez de só ler. O placar soma a sua semana com casa decimal, como o da série, e depois mostra o que ficou de fora da conta. A escada das quatro fases marca em vermelho o ponto sem volta. Os vasos de tamanhos diferentes enchem todos até a borda. E o exame de consciência aparece na ordem invertida, aquela que Inácio põe primeiro e quase todo mundo pula, e fica guardado só no seu aparelho.
O livro inteiro está gravado, capítulo por capítulo, e vem junto. São pouco mais de três horas. Você aperta um botão e ele toca do começo ao fim, lembra onde você parou e deixa ouvir mais rápido se quiser. As três partes que abrem sem pagar também abrem em áudio.
R$ 47 · uma vez, acesso permanente
As três primeiras partes ficam abertas para qualquer um. O pagamento abre as outras doze, os cinco interativos e o livro em áudio.
Pagamento pelo Mercado Pago: Pix, cartão ou boleto. Depois de aprovado, você recebe um código de acesso.
Este livro é comentário e crítica. The Good Place foi criada por Michael Schur e pertence à NBCUniversal. Não há aqui ficção com os personagens dela, nem continuação. Quem quiser a série tem de assisti-la, e vale a pena.
E não há nenhuma revelação privada nestas páginas. O que sei do céu eu sei da Escritura, do que a Igreja definiu e do que os teólogos deduziram de quem Deus é. Onde a doutrina fala, obedeço. Onde cala, imagino, e digo que estou imaginando.